Bem, a minha experiência é angariada na colaboração nos trabalhos de restauro dos meus carros pois acompanho-os quase inteiramente, e tenho aprendido bastante com o pessoal envolvido e também recordado muitas outras coisas estudadas em tempos, mas entretanto esquecidas.
Quanto aos restauros 240K GT posso naturalmente ajudar naquilo que a minha "ciência" for capaz disso, mas o tempo tem que ser articulado com as minhas disponibilidades. Claro que já espreitei as descrições da "concorrência" nestas artes.
Vivo em Lisboa e passo os fim de semana numa terreola perto do Cartaxo. No fim de semana estou em trabalhos oficinais principalmente aos sábados - é sagrado.
Atenção que a ferrugem tem que ser bem limpa e queimada, em caso de dúvida é melhor cortar e remendar. Fala de jacto de...... grenalha (?) mas evite fazer muito nos paineis planos pois pode empenar pois isso desenvolve calor e isso dá um trabalhão para repor a coisa. De qualquer forma a pressão deve ser muito bem regulada (baixa) e a aplicação tem que ser muito cuidada. Mas atenção as zonas e juntas de chapa sobreposta se não for aberta a ferrugem fica lá.
Quanto a bate chapas essa função é cada vez mais difícil de encontrar um que seja capaz de agarrar com gosto essa nobre tarefa do velho fazer novo. Fundamental para reproduzir chaparia é ter uma fieira, que muito profissional dessa arte desconhece. O pessoal novo prefere meter uma porta nova ou um para-lamas novo do que desempenhar a função "artística" da reprodução de zonas danificadas.
Neste momento, conto com a colaboração de um bate-chapas que é um verdadeiro mestre (já velhote) pelo que percebo muito bem o que Jonas1200 quiz dizer, pois já o viu a trabalhar no meu actual restauro. O bate chapas do SUBARU era um seu discípulo. Houve portanto um upgrade nesta função.
Em relação aos trabalhos descritos e questionados pelo Nuno eles são de "borla" pois sou eu que os faço com muita paciência, e confesso que muitas vezes chego na segunda feira à empresa com as mãos fechadas, pois estão uma vergonha. Não creio que exista alguém que aceite fazer este trabalho pois é muito moroso e "porco" além de serem gastas muitas horas.
Como faço: vidrinhos de iogourt (gasto muitos), coca cola e peças pequenas lá para dentro a marinar (termo culinário) um tempo, normalmente uma semana.
Depois lavar, passar escova de arame tipo das de velas, lavar, escova de dentes, lixa etc. e boião de iogourt agora a marinar em converter da REDEX (+ uma semana). Depois berbequim com escova de arame e levar à chapa (molas, parafusos, porcas, anilhas etc.) tendo muito cuidado com os dedos e com óculos de protecção etc. etc. Nunca descurar a segurança.
Segue-se a zincagem a frio em spray em doses sucessivas de forma a cobrir por todos os lados e espessuras, e aplicação de verniz de metal em spray.
No caso de haver roscas (parafusos ou porcas) passo a tarraxa ou macho conforme o caso, pois elas ficam com material agarrado e tendem a partir ou a encavalitar a rosca. Depois de aplicado se houver rosca à vista aí aplico a pincel um pouco de verniz para metal.
É trabalho com paciência de chinês.
Edited by: ROGER MORGAN
at: 4/3/04 18:13