BOM DIA MARGINAL26 de Abril de 2004
Um passeio pela marginal faz sempre um bom dia. Ainda melhor com o Toyota Prius que consegue fazer 19 km à beira mar com apenas 71 cêntimos. Que pena dias como este serem, ainda, tão marginais...
Quase metade do preço de um bilhete de comboio entre a Cruz Quebrada e Cascais - 1,10 euros – foi o que o novo Toyota Prius pediu para fazer perto de 20 km. Gastou, exactamente, 0,722 litros, que custam cerca de 0,70 e, o que significa um consumo médio que bate qualquer super-diesel-económico do segmento: 3,8/100. E estas contas não contemplam a hipótese de levar mais quatro pessoas além do condutor, nem foram obtidas a empatar o trânsito. Apenas cumprimos o limite local, entre os 50 e 70 km/h. O monitor a cores na consola central – controla por toque a climatização, sistema de navegação, telefone e audio – mostra em tempo real donde provém a energia que está a fazer andar o Prius: se do motor, das baterias ou de ambos. Simultaneamente, também mostra o ciclo de recarga.
A gestão é feita sem qualquer intervenção do condutor. Sente-se que o arranque só não é mais vigoroso devido à nossa contenção no acelerador. Por norma, as rodas recebem energia do motor a gasolina e eléctrico, a condição que disponibiliza mais força. Vencida a inércia inicial, o motor a gasolina passa a “alimentar” as rodas e sobra energia para repor a carga na bateria. Tratando-se de uma zona plana, frequentemente conseguimos manter 50 a 60 km/h apenas com a energia das baterias, isto é, sem gastar uma gota de gasolina. Infelizmente, e apesar do Prius ter o pack de baterias mais evoluído do Mundo para este tipo de finalidade, a energia gasta-se muito mais depressa do que “renasce”, embora o sofisticado sistema de gestão aproveite todas as situações, em especial as desacelerações ou descidas, para converter o motor eléctrico em gerador, de forma a carregar as baterias colocadas atrás do banco traseiro com o movimento de desaceleração das rodas dianteiras.
Por esta altura, com mais de metade da marginal percorrida, incluindo meia dúzia de paragens em semáforos, o computador de bordo indica uma média de 4,3 litros desde o “reset” à saída de Lisboa. E o mais aconchegante foi o facto deste valor estar a ser alcançado com o ar condicionado ligado para repor o ambiente a bordo, naturalmente sobreaquecido pelo já forte Sol de Primavera. Isto só é possível porque o sistema de climatização do Prius é o mais sofisticado do mundo automóvel, recorrendo a um compressor eléctrico alimentado pelo circuito de 500V, naturalmente convertido para 12V à entrada dos componentes.
À chegada a Cascais, e tendo a informação de baterias carregadas – a carga normal de serviço das baterias oscila entre os 25 e 75 por cento, só descendo ou ultrapassando estes níveis em casos excepcionais – aproveitamos o primeiro semáforo para pressionar o botão EV à esquerda do volante. Este botão tão exclusivo permite “bloquear” o Prius em modo eléctrico, desde que haja energia nas baterias e não se ultrapasse os 50 km/h. Atravessámos a Vila sem um único ruído. Todos os outros veículos parecem escandalosamente poluidores e barulhentos. Quando o sinal acústico avisa que a carga está a terminar já vamos a caminho do Guincho, com 2,3 km no parcial. 2300 metros sem gastar uma gota de gasolina, o que baixou a média final para 3,8 L/100. Nesta meia hora que durou a viagem uma outra função do mostrador digital diz-nos que regenerámos 400 Wh, o suficiente para alimentar um pequeno frigorífico durante meio dia...
Que pena o pouco incentivo e interesse do Estado, o preconceito de alguns potenciais compradores e o preço aproximado de 34 mil euros não permitirem multiplicar por muitos milhares um dia assim na marginal.
Sandro Mêda
in
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