Preparar motor Toyota 2T

Iniciado por Tractortp, 10 de Novembro de 2011, 18:32

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Santos Silva

este link está correto?...

Passar de 105 cv (motor 2TB) para 150 cv não me parece ser nenhum drama. Eu diria que:

Trabalhar a cabeça (admissão e escape e abertura das vávulas com angulo diferente), molas de válvulas mais fortes ou duplas, arvore de cammes mais pontuda (sem exagero por causa dos semáforos  :angel:), carburadores com maior débito, escape de maiores dimensões e mais direto deverá dar uns 25~35 cv... (a olho)
Equilibrar os pesos das peças moveis )cambota pistões, bielas, aligeirar o volante do motor - vai permitir maior rotação, logo maior potencia.
Deve estar lá perto... ainda posso rebaixar a cabeça de modo a conseguir maior compressão.

Só para dar um exemplo, o motor do Fiat Uno 45 que está montado na Barchetta 00 do ISEP deu 72cv no banco de potência no sábado à tarde depois dos workshops... lembro que o valor de origem são 45cv.
Santos Silva
Sócio Fundador nº7

rpm

#46
Penso que sim SS, tente fazer copy-paste do link na barra de endereços. :)

105 cv... SAE... quando era novo. 150 num 2TB de estrada sem orçamento de rico pago (um almoço ou jantar) para ver. :thumbsup E uma voltinha à pendura também não se recusa.  :green:

Eu penso que se conseguir será com muito investimento e um motor muito pontudo. Para regularidades preferia apontar para os 115-120 cv (reais), mantendo a usabilidade a baixa e média rotação necessária para essas provas.
本田技研工業「夢の力」Associado AJA nº 65

apardal

Citação de: Santos Silva em 06 de Junho de 2012, 19:38
este link está correto?...

Passar de 105 cv (motor 2TB) para 150 cv não me parece ser nenhum drama. Eu diria que:

Trabalhar a cabeça (admissão e escape e abertura das vávulas com angulo diferente), molas de válvulas mais fortes ou duplas, arvore de cammes mais pontuda (sem exagero por causa dos semáforos  :angel:), carburadores com maior débito, escape de maiores dimensões e mais direto deverá dar uns 25~35 cv... (a olho)
Equilibrar os pesos das peças moveis )cambota pistões, bielas, aligeirar o volante do motor - vai permitir maior rotação, logo maior potencia.
Deve estar lá perto... ainda posso rebaixar a cabeça de modo a conseguir maior compressão.

Só para dar um exemplo, o motor do Fiat Uno 45 que está montado na Barchetta 00 do ISEP deu 72cv no banco de potência no sábado à tarde depois dos workshops... lembro que o valor de origem são 45cv.

Tudo se resume ao orçamento.

O meu 4A-GE foi de 120 para 170 com um investimento que deve rondar os 3500€.

Faz ralenti às 950rpm, corte às 8900. Faixa de utilização... talvez a partir das 3500rpm já dê para fazer uma ultrapassagem em condições. À pala dos ITB's, é demasiado ruidoso. Com um colector de admissão conseguia reduzir isso sem perder muita potência. O mesmo se pode dizer do escape.

Mas não quero enganar ninguém... não é um daily driver.

Se fosse eu a preparar o 2T, começava por pesquisar na net o que é que já há feito por esse mundo fora. Cames que funcionam com determinados carburadores para a potência que se tem como objectivo. Desmontar o motor todo, ler muito, pegar num dremmel e começar a brincar. Isto tem graça é feito por nós. Eu não sabia ler nem escrever e dei por mim a desmontar o meu carro todo.

Com carburadores temos uma "afinação" mais económica e nas mãos certas... talvez mais fácil.

Vá, toca a começar as compras com muitas fotos de material novo todo organizado em cima da bancada, pronto a montar, para a malta ver e babar! :)

Santos Silva

Este tópico ficou a meio e já lá vão meses...

Faltou-me falar do 3º processo de aumento da potência de um motor: o aumento do regime de rotação.

Os motores de origem vêm preparados para atingir um limite de rotação que é determinado por vários fatores, entre os quais:

- A força das molas das válvulas
- A dimensão das condutas e a quantidade de ar que é possivel fazer passar (caudal)
- Quantidade de ar que se consegue meter dentro de cada cilindro
- Peso do componentes móveis do motor e seu equilibrio
- Capacidade de lubrificação e refrigeração

O aumento do regime de rotação fará com que seja consumido mais mistura ar/combustível por minuto. Ora, como sabemos, é esta mistura que entrega a "energia" (transformada em calor) ao sistema que o faz desenvolver a potência. Mais energia = mais potência.

A forma mais simples de aumentar a potencia, pelo aumento de rotação, é através do aligeiramento das massas que se encontram em movimento, ou seja:

Cambota; bielas, pistões, cavilhas dos pistões, arvore de cames, martelos, hastes dos martelos (quando existam), válvulas.

(Lembro que a potência que chega às rodas, nos sitemas mais eficazes, fica-se por uns 40% da potência desenvolvida pelo motor. Os outros 60% perdem-se principalmente em forma de calor e atrito)

Para além de se aligeirar todas essas peças, retirando material que não seja cruxial à resistencia, devemos também ter grande atenção ao equilibrio das peças, isto é, garantir que todas as peças iguais pesam exatamente o mesmo, por exemplo, os pistões e as bielas. Também é vulgar substituir-se a válvulas por outras com hastes de menor diametro, de modo a reduzir o peso.
Um motor perfeitamente equilibrado consegue subir de rotação mais depressa e consegue manter as rotações mais elevadas pois os efeitos das forças de inércia não são tão notados.
Conforme referi atrás, a retirada de material pode levar ao enfraquecimento das peças o que aliado aos esforços maiores a que o motor vai estar sujeito, podem levar à rotura das mesmas.

(continua...)


Santos Silva
Sócio Fundador nº7

rpm

Excelente texto. ;) Acrescentaria apenas que fazer rotação de nada vale se a cabeça não tiver fluxo suficiente, as cames não forem adequadas, etc. Praticamente todos os motores de origem cortam já a perder potência. Pô-los a fazer mais rotação sem mudar mais nada não traria portanto benefícios por si só.

--/--

Depois de ler este tópico penso que todos podemos admirar os motores que de fábrica têm tudo isto pensado ao mais pequeno pormenor e são capazes de fabulosas potências específicas e rotações estratosféricas sem comprometer a usabilidade nem sequer os consumos ou a fiabilidade.
本田技研工業「夢の力」Associado AJA nº 65

Santos Silva

Ainda antes de continuar, e na linha do que o RPM escreveu, o fluxo de ar dos motores é bastante importante. É por isso que os motores "crossflow" têm melhores desempenhos.

Crossflow - admissão de um lado da cabeça e escape do outro lado.

A explicação "popular" para esta maior eficácia prende-se com o facto do fluxo não precisar de entrar e ter que voltar para trás, assimentra e sai sempre na mesma direção. Claro que isto não é verdade pois as valvulas fecham e interrompem o fluxo de ar/mistura.
Por outro lado, existe um momento em que ambas as valvulas estão abertas no final do ciclo do escape. Neste momento, a inercia da saida dos gases de escape, favorece a admissão da mistura e aqui sim, o "crossflow" tem vantagem. Se pensarmos nas altas rotações que o motor pode atingir, o fluxo é de tal modo rápido que a direção do fluxo é primordial.

Aproveitando o ensejo, o facto de termos 2, 3, 4 ou 5 válvulas por cilindro, prende-se também com esta necessidade de melhorar o fluxo do caudal de mistura e de escape. Note-se que as valvulas de admissão são sempre maiores que as de escape para que a mistura venha mais "misturada", passe o pleonasmo. Nos motores com valvulas impares, são sempre mais as de admissão que as de escape, precisamente para esse efeito.

(continua)
Santos Silva
Sócio Fundador nº7