O AJA desde o seu início tem como objetivo maior, a preservação do património automóvel japonês no nosso país. E este objetivo completa-se com a recuperação, restauro e manutenção das viaturas existentes, dentro de padrões de originalidade ou alterações conforme a época de cada viatura.
Cientes de que este é objetivo difícil e que só com muita persistência se consegue resultados, o AJA, através dos seus membros, tem desenvolvido esforços de consciencialização sobretudo através da exposição de exemplares originais, de orientação nos restauros, de disponibilização de material documental, entre outros.
Nos últimos anos temos assistido, por diversas razões, a uma delapidação do nosso património automóvel. Podemos falar de todas as marcas mas vamos focar-nos no que são os Japoneses.
A crise que se instalou em Portugal nos últimos 8 anos deu o mote para que muitos proprietários começassem a abrir mão de muitas viaturas que se encontravam, algumas delas, na família há décadas. Esta disponibilidade foi há muito percebida no estrangeiro e cada vez mais existem compradores por toda a Europa, América e também na Ásia. Ainda há pouco tempo andava um Australiano no grande Porto à procura de Mazda's 818.
Portugal tornou-se um destino onde se pode comprar clássicos baratos. Ou não o sendo, onde se podem encontrar carros raros e em considerável bom estado.
No que aos Japoneses diz respeito, é conhecido o apetite por alguns modelos Datsun por exemplo no Kuweit e Emiratos Árabes. As imagens e vídeos destas viaturas a ser destruídas com demonstrações de completa idiotice, desprezo pelos automóveis, e até pela própria vida, são inúmeras e estão na retina de todos nós. Este desprezo é incompreensível para nós, mais ainda se pensarmos nas quantias de dinheiro pelas quais são compradas às quais se junta o transporte.
Mas existe algo mais terrível que não sabíamos até há pouco tempo: A maior parte destas viaturas são usadas para corridas ilegais e para acrobacias proibidas nos respetivos países acabando apreendidas pelas forças da lei e colocadas em parques de onde nunca mais sairão e onde acabarão por apodrecer.
Uma coisa é vender uma viatura e saber que vai ser mantida, guardada e bem tratada (ainda que longe da nossa vista), outra bem diferente é vender uma viatura sabendo que o seu destino mais certo é o desprezo, a destruição e por fim uma morte lenta longe da vista de todos.
É isto que queremos? Será que não conseguimos resistir à tentação de ganhar uns euros fáceis em troca de perda de um património que não será reposto e que traz muitas mais alegrias do que os euros que recebemos por eles?
E quando já não existir nenhuma viatura daquele modelo em Portugal? O que vamos pensar? Para que servirá o arrependimento?
O AJA continuará a bater-se pela manutenção do património com a ajuda de todos os que estão de corpo e alma neste espírito.
Como foi dito e escrito na primeira reunião da direção do AJA na sua fundação: "Quem não está connosco, está contra nós"