Bom, então lá vai... aos bocadinhos! Ressalvo desde já que os exemplos são apenas isso: exemplos. Não pretendo uma lista exaustiva.
Começo por dizer que aquilo que para uns vale, para outros não vale.
Bom este é o primeiro principio que se pode juntar às leis de oferta e procura do mercado. E o mercado é diferente no Porto e em Lisboa; em Portugal e na Espanha, na França e em UK; é diferente na Europa e nos EUA ou na Ásia. E acreditem que a minha experiência na área de peças é tal que já sei onde a procura é maior para Corona ou KE20 ou Datsun 510 ou Celica.
Tentando esquematizar (à engenheiro):
1 - As primeiras edições de cada modelo - A 1ª edição de cada modelo é um marco e representa o inicio, a mudança, apresentam algo de novo, novas soluções, design, novas mecânicas. Esses são procurados. Exemplos: o 1º Celica - TA22, o 1º Corolla - KE10, o 1º Sunny, o 1º Bluebird, o 1º Civic, o Mazda 818, etc...
Se analisarmos o lançamento do Corolla 50 anos, a Toyota apresentou o KE10 junto. O GT86 com o AE86. A Nissan tem nas caixas multibanco um Qashqai com um atrelado e o 240Z em cima.
2 - Os modelos de marcas com menos representatividade no mundo, na Europa, em Portugal ou os modelos com poucas unidades produzidas. São exemplos disso o ISUZU Bellet, o Mazda 818, o Datsun Roadster, o Bluebird 510. Por outro lado temos o Mazda Cosmo, o 240Z (apesar de existirem ainda muitas unidades por exemplo nos EUA), o 2000 GT (nem sei se o deva mencionar neste texto porque está de tal modo endeusado que é de outra galáxia) o KGC10, o Honda coupé 9...
3 - Exclusividade. Este é um ponto importante para muitas pessoas: ter um carro que poucos têm (talvez por isso haja muitos KE20 e Datsun B110 alterados) Se em Portugal um KE20 é banal, em UK é raro e no Japão poucos existem a não ser o TE27. Eu adoraria ter um Roadster mas se eles existissem em quantidades como os B110, se calhar preferia um Mazda 818 coupé. Quando comprei o MR2 da 1ª geração foi para não ser "mais um" com um MX-5...
4 - Disponibilidade de peças ou carros dadores para peças. Recentemente (re)apareceu um Bellet à venda. O carro estará de tal modo podre e degradado que se perde a vontade de lhe pegar. E não há peças no mundo e arredores... O modelo vale muito se o carro em si estiver em condições.
Para muitos, ter um automóvel especial é guardá-lo na garagem e sair 1 vez por ano à rua. Um automóvel não é para estar parado, é para andar com ele. Ter um 2000 GT é porreiro mas só para olhar para ele... OK, rende mais que os euros no banco!
5 - Design e aspeto - O design é o que mais "vende" um modelo. Os olhos comem mais que todos os outros sentidos. Há modelos que não sei como existem tantos fãns, nem vou mencionar mas eu nunca compraria um modelo daqueles...
O Kaizen acha que o TE71 não é bonito. Mas eu tive um e não foi por ser bonito, foi pela mecânica, por aquilo que tinha registado nas minhas memórias de juventude. O aspeto desportivo ou o aspeto "antigo" com linhas mais conservadoras pode definir a apetência por um modelo.
6 - Inovações tecnológicas - O primeiro 4x4; o primeiro com suspensão independente à 4 rodas; o primeiro com sistema de controlo de abertura de válvulas; o primeiro com dupla árvore de cames na cabeça; o primeiro tração à frente ou o último tração atrás; o primeiro com 100 cv por litro; o primeiro com motor central; o primeiro turbo...
Ou pela inversa, os que não têm nada dessas "mariquices" e são "puros" com mecânicas simples e fáceis
7 - Modelos que agradam a muitos - penso que o RPM era por aqui que queria levar o tópico. Só faz sentido investir em clássicos que nos possam dar garantia de venda fácil num futuro a médio prazo.
Aqui estamos a deixar de fora a paixão, a vontade de ter aquele modelo e de poder desfrutar dele sempre que me apetecer e que não me vou cansar dele. Era mesmo "aquele" que eu queria. Queria tanto que era capaz de vender todos os outros para "enterrar" todo o meu dinheiro nele. E esses não é para vender, mesmo que valesse muito. Ou que ninguém o quisesse porque é feio, tem 4 portas, mecânica antiga e lento e até pode passar despercebido no meio de outros.
Mas voltando a colocar os pés no chão, e pensando no investimento, só faz sentido se pensarmos global, se pesarmos mundialmente pois no nosso país existem apenas uma mão cheia de modelos em que possamos apostar se for para serem vendidos cá dentro. Mas aqui começa a nossa consciência a chatear... É para isso que o AJA existe? Afinal não é para tentar preservar o património... dentro de portas?
(a continuar... talvez...)