A geração dos 80 (por Nuno Markl)

Iniciado por nunoturbo, 04 de Agosto de 2008, 23:27

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nunoturbo


> A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
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> E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
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> O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
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> 'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer!
> Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
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> A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.
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> Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
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> O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas,lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa.
> Naquela altura era actual...
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> E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
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> Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.
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> Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!
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> E pior, nunca caiu de uma. É um mole.
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> Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
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> Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.
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> Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.
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> Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
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> Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
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> Confesso, senti-me velho...
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> Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
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> Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.
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>
>
> Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
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> Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.
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> Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.
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> No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse..
>
>
>
> Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
>
> Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
>
> Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
>
> E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?
>
> E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro,sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.
>
> Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
>
> Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
>
> Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
>
> Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.
>
> Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
>
> É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'
>
>
>
> (Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'...
> Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)
Membro do AJA desde 2003
Sócio Fundador n.º3

prelude guy

 :green:


Lindo  :) Sem tirar nem por  :redface


... e eu que descobri há dias que agora há uma nova versão do "franjinhas"... agora com bonecos animados em computador...  :lol
Toyota Celica 1973 vs. Honda Prelude 1982
Luís Duarte (Associado AJA #25)

Toylex

Foi mesmo assim.... e já lá vão 36

Partilho inteiramente do exposto pelo Nunoturbo.

Boa... pelo pensamento e dasabafo, coisa que me tem passado pela memória muitas vezes.

Isto já não é o que era... :duh:
José Manuel Santos - Sócio AJA nº51

nunoturbo

Ainda ontem estive com um amigo ligeiramente mais velho do que eu a falarmos sobre este mesmo tema. Todos sofremos do mesmo "mal"... saudades dos bons velhos tempos em que nos divertíamos sem fazer mal, nem a nós próprios, nem aos outros...
Membro do AJA desde 2003
Sócio Fundador n.º3

doscapuzes

Nascidos antes de 1986 :

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.

Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas "à prova de crianças", ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.

Quando andávamos de bicicleta ou de minitrail, não usávamos capacetes.

Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags, viajar á frente era um bónus.

Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.

Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.

Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentose depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.

Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.

Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.

Não tínhamos PlayStation, X Box.

Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet.

Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos á rua.

Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía!

Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.

Havia lutas com punhos mas sem sermos processados. Batíamos ás portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.

Íamos a pé para casa dos amigos.

Acreditem ou não íamos a pé para a escola;

Não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.

Criávamos jogos com paus e bolas.

Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem. Eles
estavam do lado da lei.

Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.

Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.

És um deles? Parabéns!

Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas, "para nosso bem".

Para todos os outros que não têm idade suficiente pensei que gostassem de ler acerca de nós.

Isto, meus amigos é surpreendentemente medonho... E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios.

A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades nasceu em 1986.

Chamam-se jovens.

Nunca ouviram "we are the world" e uptown girl conhecem de westlife e não de Billy Joel.

Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle.

Para eles sempre houve uma Alemanha e um Vietname.

A SIDA sempre existiu.

Os CD's sempre existiram.

O Michael Jackson sempre foi branco.

Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo fosse um dia um deus da dança.

Acreditam que Missão impossível e Anjos de Charlie são filmes do ano
passado.

Não conseguem imaginar a vida sem computadores.

Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:
1. Entendes o que está escrito acima e sorris.
2. Precisas de dormir mais depois de uma noitada.
3. Os teus amigos estão casados ou a casar.
4. Surpreende-te ver crianças tão á vontade com computadores.
5. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis.
6. Lembras-te da Gabriela (a primeira vez que deu na tv).
7. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos.
8. Vais encaminhar este e-mail para outros amigos porque achas que vão gostar.

SIM ESTÁS A FICAR VELHO heheheh, mas tivemos uma infância do caraças"




Retirado do hondaminitrail.com.




:clap: :clap:


Cumprimentos.



s 800

 :hum:

Acho que nasci um bocadinho antes disto...

No meu tempo...

O sexo era seguro e as corridas de automóveis, perigosas.  :assobio
Sócio AJA nº 6

blardY

Acho que sou da geração de transição...

No meu tempo...

Ainda havia sexo seguro e as corridas de automóveis, cada vez mais perigosas.  :assobio
Pedro Massa - Sócio AJA Nº10

fellowmax

O que mais tenho saudades desse tempo, é do que não tinha... :assobio


Um telemóvel a massacrar dia e noite, mesmo quando estou de férias.

Tenho de arranjar um sistema para receber as chamadas dos amigos e familia e mandar as outras para uma mensagem de um operador da Malasia ou China a pagar por quem liga. Ao fim de um tempo deixam de ligar de certeza  :lol :lol
Sérgio Gomes
Sócio AJA Nº 12


Daihatsu Charade G10 XTE Runabout 1981

doscapuzes

Bem, pois eu ainda sou do tempo em que os clássicos de hoje eram vendidos em Stand com 0 (zero) Km. :lol

Cumprimentos.

nunoturbo

Fantástico, que formas tão subtis de nos sentirmos... antigos, mas actualizados!

O sexo continua a ser seguro desde que os participantes estejam cada um em seu computador e as corridas de automóveis só são perigosas de o Xô Guarda estiver com o radar apontado para nós...
Membro do AJA desde 2003
Sócio Fundador n.º3

Alfo04

eu sou do tempo em que a gasolina custava 3,00 escudos o lt...ganhava 5000 por mês e quase metade era pra a gasolina.. porque o sexo era de borla mas tinha que se procurar...as distancias eram grandes.
as corridas não eram perigosas, porque os carros não andavam mto..e as cartas de condução tiravam-se não se compravam...na net. ;)
não me lembro de ouvir dizer que morreu de acidente porque nao levava cinto de segurança..não havia..
acidentes frontais só com comboios...
havia sim arvores que se metiam á frente dos carros quando se vinha da boite ás 3 da manha...agora vais as 3 da manha abri-la..abanar o capacete uns com outros...será que já não há miudas???? :D

AR

maxidenny

eu sou dos principios de 80, quer dizer, meio mesmo de 80...
e tenho pena de na ser do vosso tempo...
onde ñ dependiamos tamto das tecnologias para tudo...
ate ba treta dos carros e so coisas a trabalhar por nós, e no meu ver, cada vez as pessoas condizem pior, e metem as responsabilidades nos  carros, porque estes tem ct, esp, e etc...
ta mal...
deviam era de andar em carros antigos para verem o verdadeiro gozp de conduzir e aprender
com o carro, ñ depender que ele faça tudo por nos...

BGONGAS

E não se atrevam a perguntar a um jovem se quer jogar ao pião, ou ao guelas (berlinde), pois ele olhará para vós, como se não fossem deste mundo.
Mas também não era só miséria, já éramos tecnologicamente evoluídos. Já construíamos os nosos carros, quem não construiu o seu próprio carrinho de rolamentos (alguns com assento almofadado e apoio de costas, um luxo.
De vez em quando lá comíamos os nossos Rajá 8) (quem não se lembra desta marca de gelados). Uma loucura

maxidenny

os meus carros de rolamentos ja eram mesmo muito evoluidos...
tinham travao de mao, e quando queriamos mesmo grig na frente metiamos rodas de borracha, e atras o belo do rolamento para driftar...
hehe